Bizu

August 7, 2008 at 3:09 am (Jurisprudência) (, , , , , , , , , , )

Estava eu a ler algumas notícias do site do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, quando me deparo com a seguinte:

“Câmara Criminal concede liberdade a quatro acusados de fraudarem provas do concurso para agentes penitenciários do Estado”.

Pô! – pensei – vou fazer um comentário no meu blog, acerca do absurdo que é, uma pessoa fraudar um concurso público. Pensei, também, em fazer uma abordagem do tipo “se o cara já frauda o concurso, imagina que bandido que não deve ser, e pior, vai trabalhar cuidando de bandido”.

Comecei lendo a notícia:

“Sob a presidência do desembargador Antonio Carlos Coelho da Franca (e também com sua relatoria no processo), a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba concedeu por unanimidade ordem de habeas corpus em favor de quatro acusados de fraudar as provas de um recente concurso para agentes penitenciários do Estado”.

Após a notícia descorrer acerca dos acontecimentos no julgamento (em que não houve nada demais), iniciou a narrativa dos fatos sob o título “DICAS ILEGAIS PARA AS PROVAS” e continuou:

“Os autos informam ainda que, no dia 8 de junho de 2007, Alan Vasconcelos da Silva, Francisco Fagnar Cavalcanti Rodrigues, Marcelo Medeiros Macedo e Rodrigues Tavares Macedo foram presos em flagrante e incursos nos Artigos 171 e 288 do Código Penal Brasileiro (estelionato e formação de quadrilha).
O jornalista Fernando Patriota, que cobriu esta sessão da Câmara Criminal para a Coordenadoria de Comunicação Social do Judiciário paraibano, informa ainda que, segundo o processo, que tramita na 3ª. Vara Criminal da Comarca da Capital, os acusados — que, agora, responderão ao proce sso em liberdade — utilizaram carteiras adulteradas, chips e celulares para enviar o “bizu” das provas para um computador.
Cada “bizu”, ainda segundo os autos, era vendido por R$ 15 mil”.

BIZU! PORRA, bizu?!?! Numa notícia do TJPB? Daí tu se pergunta, mas que porra de bizu é isso?

Claro que, para não deixar ninguém na dúvida, veio a explicação:

“SOBRE A GÍRIA BIZU

“Bizu”, palavra ainda não dicionarizada no Aurélio, encontra-se em dicionários informais de gíria e também no dicionário on line Wiktionary. Designa as “dicas” ilegais com respostas prontas, de normal previamente distribuídas, para fraudar provas, concursos etc. Em certos estabelecimentos educacionais, como cursinhos, colégios etc, o termo não tem sentido pejorativo, dizendo-se, por exemplo, “estude pelo bizu de Medicina e aprenda tudo”.
Trata-se de gíria com toda probabilidade surgida há tempos, nos quartéis, quando os recrutas sopravam ou sussurravam, aos ouvidos dos colegas, respostas de questões caídas em provas e também simples comentários sobre como proceder para se dar bem com os superiores, em determinadas situações. Os oficiais, ouvindo esses sussurros, que se assemelhavam, no som, a algo como “bzzzz” ou “bzbzbz”, passaram a dizer em voz alta que “Atenção, tropa! Não queremos ouvir qualquer ‘bzu’ ou ‘bzu-bzu’ por aqui”. De bzu para bizu foi apenas um passo”.

Isso que é sabedoria e cultura geral! Agora, pra alguém da assessoria de imprensa do TJPB perder tempo pra procurar na Wikipedia o que é “bizu”, daí é pra fuder, e por trás ainda!

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